
Ontem foi a comemoração do meu aniversário, escrevo isso dia 25. E está certo que aniversários carregam um peso emocional intrínseco, para além da sensação de que estou mais velho e maduro (o velho jovem de 22 anos falando) muitos elementos fizeram deste, o aniversário mais significativo da minha vida.
Antes de entrar no por que disso, um pouco de contexto: minha família é católica, e apesar de ser de esquerda, é uma típica família conservadora. E assim, por preguiça de discorrer muito sobre, se contente com essa breve imagética que apesar de superficial já pinta um quadro de seus comportamentos mais gerais e linha de pensamento.
Dito isso eu nunca fui de igreja, sempre frequentei com eles e tudo, mas me vi poucas vezes chamado para esse espaço, e passadas experiências de vida ao decorrer do caminho cheguei a conclusão, até que recente, de sou curioso demais para dedicar grande parte de minha vida à uma profissão de fé. Por conta disso, minhas amizades frutificaram em outros terrenos que não o da igreja. Em especial ou nem tanto: escola e faculdade. Nesses dois contextos, sou feliz de ver que pude me aproximar de pessoas bastante variadas quando o assunto é fé, conheço de ateus e agnósticos, passando por crentes moderados e os famigerados, ‘Sim eu creio em deus, mas é isso’.
Foi assim que construí meus círculos sociais e entre físicos e artistas, me vi numa situação engraçada: como apresentá-los a meus pais? Parece bobo, mas essa sempre foi uma questão complexa para mim.
Muitas sessões de análise consideradas, digamos apenas que eu tinha medo - ainda tenho um pouco - de ser julgado por meus pais, ou melhor tenho medo de ter minhas amizades julgadas. E isso se junta ao fato de eu ter dividido minha forma de agir entre dois "Vitors" que convivem no mesmo corpo: o filho mais velho, responsável e cooperativamente religioso; e o amigo amante de conversas e que têm uma cabeça extremamente aberta sobre uma grande variedade de assuntos, inclusive religiosos. Talvez agora faça mais sentido que esse evento foi grande para mim. O primeiro aniversário que comemorei em casa
Nem preciso dizer que a ansiedade anterior ao evento me deixou elétrico, pois além desse fato, também existe uma pessoa - a chamarei de sol de agora em diante - que tem feito boa parte de meus dias mais alegres, já comentei sobre ela algumas vezes por aqui. Eu também a convidei, então também foi a primeira vez que ela e meus pais se viram ao vivo e a cores. E assim, se você leu outras entradas do diário sabe mais ou menos em que pé se deu a aceitação deles para com ela desde o início, atualmente estamos com uns 4 meses de relação. Resumidamente meus pais não tiveram reações muito positivas, pois sol não é religiosa. Enfim, um caldeirão de cenários desastrosos onde meus pais rejeitam todos aqueles que têm algum significado emocional para mim, em diferentes níveis de afeto, não parecia nada divertido. Essas eram as possibilidades mais pungentes diante de mim.
Você pode se perguntar se não seria mais fácil e menos estressante só fazer a festa fora, certo? E assim, eu até poderia, mas senti que tinha chegado a hora de enfrentar esses medos e ansiedades, e assumir que sim, igual comentei mais acima, eu sou essas duas partes e continuarei sendo até ir morar sozinho (ao menos é assim que imagino), porém até lá não to afim de ignorar uma a favor da outra nem de fingir que esses amigos não são importantes pra mim. Decidi que de agora em diante quero que eles possam estar enfim conhecendo minha família, porque quero estar mais próximo deles e esse mútuo conhecimento facilita as coisas. Diante disso, a melhor solução era criar uma forma de aproximação, eu me sentia enfim pronto para lidar com as consequências de possíveis conflitos.
E acontece que as coisas foram mais simples do que esperava, minha mãe foi uma boa anfitriã, enquanto meu pai se manteve distante como sempre, mas isso não impediu em nada que meus amigos e eu tivéssemos uma ótima festa :)
Além disso, sol comentou sobre a nossa relação com uma amiga em comum, e apesar da surpresa inicial, ela pareceu lidar bem com isso. Foi um outro grande momento de positividade sobre nossa relação, que ao menos para mim, parecia um tanto incerta por inseguranças minhas que se atrelaram a motivos pessoais dela, coisas que prefiro omitir, por respeito a nossa relação.
Dito tudo isso, fiquei surpreso com a presença de tantos amigos, por algum motivo não achei que tantos iriam - de quinze, onze compareceram. E nem é por falsa modéstia nem nada, é que eu tenho/tinha pra mim que não era um amigo tão querido assim, não por ações deles, mas pela natureza das relações que costumo construir. Essa festa me fez repensar um pouco esse sentimento, e me fez bem notar que ele é um fruto de minhas inseguranças. Notei que preciso parar de me sabotar e assumir que finalmente estou sendo capaz de criar laços de verdade, coisa que penso que já começou a acontecer ali pelo começo do ensino médio - só hoje tenho consciência disso. Antes daquele ponto, nunca tive amigos próximos, e todos que se aproximaram disso, logo deixaram de ter contato comigo, geralmente por escolha minha, uma vez que sempre selecionei bastante todos que quero manter perto de mim.
Tentando amarrar as pontas, diria que a vida tem sido ótima. Minhas férias ainda guardam uma margem legal de possibilidades - 11 dias - e as coisas tem acontecido com mais ganhos que perdas. Vivi alguns conflitos chatos com meus pais, por conta do meu relacionamento, das minhas escolhas de vida e de quem optei por estar por perto. Apesar disso, não tenho arrependimentos. Mais do que nunca, sinto que estou sendo sincero sobre o que quero da minha vida, e o fato de amar meus pais não vai mudar isso, quero ficar bem com minha mão principalmente, mas é sempre complicado balancear entre o que quero pra mim e o que quero pra mim por conta do que
Mudando de assunto, pequenas atualizações de vida, estou no processo de tirar minha CNH, e é doido pensar que esse momento realmente chegou pra mim. Não me imaginava fazendo isso aos 18, mas hoje em dia me parece algo natural, não me sinto inseguro a respeito, o que é algo interessante de notar, sobre toda essa coisa do tempo realmente contribuir pro nosso processo de amadurecimento.
No geral é isso, pra esse ano quero continuar fortalecendo meus laços com amigos. Essa experiência de aniversário foi ótima pra me mostrar que sou capaz disso. E também quero continuar cuidando do meu relacionamento com a sol. A gente tem se dado bem, e okay que nunca tive muitos relacionamentos ou experiências românticas - pode não parecer pela forma como escrevo, mas sou um jovem bobão, talvez sério demais as vezes, mas ainda assim no começo dessa jornada doida da vida - mas o que posso dizer é que estou feliz de estar perto dela, é uma parada que tem me feito muito bem, e quero continuar cuidando disso.
Obrigado por ter lido até aqui! Vou tentar manter as atualizações do diário com mais frequência, mas é difícil encontrar tempo e contexto pras coisas fluírem da experiência de vida pras páginas, ainda assim, estarei me esforçando :) até a próxima!
Seguem fotos dos desenhos que fiz como lembrança :)
Criei todos os personagens, se algum deles lembrar alguém pode ser sim uma referência, puxei de cabeça algumas similaridades que notei divertidas.
